16 de novembro de 2006

No Espaço

NO ESPAÇO


No Brasil ainda vivemos a ditadura e a lavagem cerebral do orkut. Contudo, estamos começando a acordar. Começam a aumentar os burburinhos a respeito de outro sucesso internacional, o My Space.

Assim como a telinha de cor lavanda, o domínio possibilita a criação de uma rede de amigos e participação em comunidades. Apresenta algumas cruciais diferenças como poder trocar o layout quando se cansar dele, publicar vídeos, utilizar uma música de fundo e ter um slide para as fotografias e, claro, não precisar aturar aqueles spams incovenientes e aquela fofoca toda presente em terras orkutianas.

Deve-se reconhecer que o My Space tem maior utilidade para os amantes da música. É possível conhecer um grande número de novos artistas - além de acessar o material dos mais famosos -, já que em sua maioria, a cultura musical está em peso no "criador de espaços". Por ser bem mais cheio de frescurites, torna-se mais difícil fazer os ajustes iniciais, porém, isso muda com o tempo de utilização.

Esse acabou virando um post-propaganda - gratuito -, mas como uma "music addicted" enjoada do "te adiciono no Orkut" tento convencer as pessoas a criarem seus novos espaços. Não poderia deixar vocês, amigos leitores, de fora.

Para criar: www.myspace.com
Meu espaço: www.myspace.com/milennah



"Não quero namorá-lo. Quero sexo mesmo".
Hebe Camargo, em entrevista a Marília Gabriela, referindo-se ao cantor Roberto Carlos.



Dica: Mais um queridinho. Os Infiltrados, com os lindões do Mark Wahlberg, Leonardo DiCaprio, Matt Damon - e claro Jack Nicholson - tem um roteiro muito bem bolado e atuações ovacionais. O filme de Martin Scorsese possui uma trama impecável e mostra porque Nicholson é Nicholson e pode mostrar seu órgão genital na telona.



Som do dia: Dreams (TV On The Radio)

10 de novembro de 2006

Terceiro Mundo Sim, Mas Globalizado

TERCEIRO MUNDO SIM, MAS GLOBALIZADO


Bairro da Tijuca, início da tarde. O ponto de ônibus está lotado. Todos debaixo de um sol escaldante, aguardando ansiosamente pelos seus respectivos transportes.

Eis que caminha em direção ao ponto um senhor, negro, desdentado, com as roupas rasgadas e os pés descalços. O cambaleante indivíduo pára em frente a uma jovem e pergunta: "Do you speak English"? Uma sonoridade distorcida, provocada provavelmente por um alto teor de álcool no sangue, ou pela falta de conhecimento da pronúncia correta.

A jovem, séria e desconfiada, responde que não, apesar de ter entendido a pergunta. Indignado com a resposta, o senhor protesta: "Pô, mas ninguém sabe falar inglês nessa merda de país"! Repentinamente, volta a sorrir e diz: "My name is Jorge", mostrando alegremente sua bocarra com lacunas vazias.

Decepcionado com a falta de atenção dos demais, Jorge continua a andar, tropeçando em seus próprios pés e olhando a paisagem ao redor. Moral da história: O Brasil é um país tão globalizadamente chique que deputados usam bolsa Louis Vuitton e os mendigos falam inglês.

"Se o Clodovil tivesse recebido ajuda, não estaria vivendo a revolta que vive hoje".
O pastor e deputado Édino Fonseca, que apresentou projeto de lei propondo assistência psicológica a quem abandonasse o homossexualismo.



Dica imperdível: Jogos Mortais 3 - Pra quem acompanha a saga de Jigsaw, o terceiro filme da série é um programa e tanto. Com cenas de mortes "caprichadíssimas" e desfechos surpreendentes, a produção está entre as melhores do ano. Esticadinha para uma discussão pós-filme no bar é inevitável.



Som do dia: Grãos (Cof Damu)

2 de novembro de 2006

Brasileirinha

BRASILEIRINHA


"Nossa, que revista grossa", pensei ao ver o exemplar de uma amiga. Ops! Estávamos no mês de outubro. Catei R$ 8,90 das sobras do salário - guardadas com muito esforço mental - e corri para uma banca de jornal.

Ela passou em várias mãos, curiosas, cheias de expectativa. Ciumenta, grafei meu nome na capa, com uma bic azul, próximo à foto da top top Gisele Bündchen. É minha e irei mostrá-la para minhas futuras gerações: a mamãe tem o primeiro exemplar oficial da Rolling Stone Brasil.

Após uma tentativa na década de 70, que durou 36 edições, a conceituada revista norte-americana - referência de cultura pop - abrasileirou-se novamente, apresentando matérias sobre comportamento, moda, política e claro, transbordando música em suas páginas. Letras pequenas, textos grandes, essa faz jus a sua periodicidade - e ao seu preço: dura o mês inteiro.

Se vai dar certo? No Brasil tudo é duvidoso. Apesar da possível previsibilidade, não se sabe nem o que acontecerá durante esses quatro anos de "companheiros". Mas, tentar não custa nada. Ok, às vezes custa sim.


"Se deixarem um pedaço de carne na rua, no jardim ou no parque e os gatos o comerem, de quem será a culpa? Dos gatos ou da carne?"
Taj el Din al Hilali, líder muçulmano, culpando as mulheres estupradas por não usarem o véu.



Som do dia: Jogos Amorosos (Benflos)

23 de outubro de 2006

É Proibido Proibir

É PROIBIDO PROIBIR


A música brasileira a cada dia que passa mostra-se mais peculiar. Como amante incondicional da arte musical, mantenho meus ouvidos e meu coração sempre abertos a novas experiências. Friso que abrir-se a novas "culturas" não significa admirá-las.

Nesse fim de semana, fui apresentada a um senhor, que anda fazendo inúmeros shows pelo Rio de Janeiro, conhecido pelo nome de Mr. Catra. Meu conhecimento sobre o artista era mínimo, até porque ele não faz parte do estilo musical apreciado pela que vos escreve. O cantor de funk foi uma das coisas mais baixas e ridículas que já passaram pelo meu ouvido, e admirou-me a sua versão para Tarde Em Itapoã (Toquinho/Vinícius de Moraes).

O impressionante é que tal artista - que tem suas produções classificadas no gênero chamado de funk proibidão (mas é óbvio) - está tocando em tudo o que é lugar na noite carioca. Ele virou hype! Catra, que segue uma linha "literária" específica em suas músicas - diga-se predominantemente sexual - é o retrato de uma mídia injusta em que, basta falar qualquer porcaria e colocar uma batida no fundo para fazer sucesso.

Confesso uma crise de riso incontrolável ao escutar certas "composições". Mas, é rir para não chorar. Gostaria que as bandas que eu gosto fizessem tanto sucesso quanto ele...


"Se se cometeu um crime eleitoral, eu e qualquer outro cidadão comum deste país temos que pagar pelo crime que cometemos".
Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à Folha de S. Paulo



Som do dia: Scratch Your Name (The Noisettes)

17 de outubro de 2006

Comédia Iceberg

COMÉDIA ICEBERG



As críticas da mídia estavam sendo negativas. Algumas opiniões, totalmente divergentes. Na sala de exibição, muitas risadas - masculinas. Felizmente, paguei mais barato pela sessão no Palácio, antigo cinema de rua, longe do assalto dos shoppings.

O filme faz jus ao nome. Muito Gelo e Dois Dedos D'água. Uma comédia gelada, apelativa e insossa em mais de 50% de suas passagens. Daniel Filho, agraciado pelo maravilhoso Se Eu Fosse Você, de 2005, foi um tanto quanto decepcionante nessa nova produção. Focando a história de duas rebeldes irmãs, que resolvem vingar-se da avó - que na infância torturava-as com suas imposições -, o filme se salva por algumas cenas feitas em animação e pela presença de Mariana Ximenes, que mostra mais uma vez que é capaz de se adequar a qualquer papel.

Como um amigo me disse, "não se pode esperar muito do cinema brasileiro". Na verdade, nossa produção cinematográfica é uma caixinha de surpresas. Claro, com bundas e seios a saltarem das telas, nossa principal característica ao longo de todos esses anos de mídia. Se você costuma ser imune à grande parte das piadas - assim como a que vos escreve -, mate a curiosidade com o DVD. Se não, vá ver nos cinemas. É tão ridículo que pode te divertir.


"Clodovil é uma pessoa muito educada, elegante, fina".
Aldo Rebelo, presidente da Câmara dos Deputados

"Eu sou feito cachorro, é só passar a mão que abano o rabo".
Clodovil, deputado federal eleito, sobre os elogios de Rebelo



Som do dia: Tears And Rain (James Blunt)

13 de outubro de 2006

Velha Infância

VELHA INFÂNCIA


Manhã de feriado. Ressaca da noite anterior, muita dor de cabeça. Esta triplica quando a trilha sonora do seu despertar é o clássico Txutxucão da tia Xuxa, a rainha dos baixinhos. A ficha cai: é dia das crianças.

Crianças são a alegria de um lugar. Sim, com elas tudo é mais florido. Contudo, ataque de crianças em massa modifica radicalmente a minha opinião. E é fato: no dia 12 de outubro, não importa aonde você vá, existe sempre um discípulo do Txutxucão.

Conduzi-me ao silêncio das salas de exposições, e após a interessantíssima "Do Jornal à pintura", do Luciano Figueiredo, no Paço Imperial - que merece destaque pelo exótico trabalho artístico que se pode fazer com papel jornal -, brindei o "dia das crianças" entre cerveja e política, casadinho do momento, que faz emergir a nostálgica lembrança de quando não era preciso votar. Feliz sem saber.

Ao olhar no espelho, não existe mais aquela barriguinha de antigamente, não existe mais o Tivoly Park e as chances de ganhar presentinhos nesse dia diminuem a cada ano. Contudo, fico feliz por minha infância ter tido uma cultura musical mais rica. Preocupa-me a "evolução" musical do Txutxucão que meus filhos irão escutar.

"Lula tenta repetir Júlio César, mas não consegue, porque teria que reformular a frase célebre, dizendo: 'Até tu, quem?'"
Fernando Gabeira, sobre as declarações de Lula de que "não interessa se foi A, B ou C" que lhe deu uma "facada nas costas".



Som do dia: I'm Not My Hair (India Arie feat. Akon)

5 de outubro de 2006

E Agora, Brasil?

E AGORA, BRASIL?


Domingo, dez e meia da manhã. Deputados Federal e Estadual: um espaço vazio. "Mãe, em quem eu voto?", tanta era a relevância desse dia. O vento gelado no Rio de Janeiro ajudava a sujar ainda mais a cidade maravilhosamente poluída, que se transformou em um mar de rostos cínicos e nojentos.

O resultado não foi do jeito que eu queria. Muito longe disto. Mas pelo menos, agora ele vai ter que falar!

Pois é Brasil, quem você escolhe? O sapo ou o chuchu? Ou iremos para o brejo, ou tudo ficará aguado de vez. Ou não. Afinal, a esperança é a última que morre.


"Isso não é celulite. É gostosa em braile".
Anônima



Som do dia: Labios Compartidos (Maná)

20 de setembro de 2006

Jornalista Procura

JORNALISTA PROCURA



Em um site de relacionamentos: "Jornalista apaixonado procura a mulher ideal para relacionamento sério". Não somente este, mas muitos são os perfis de jornalistas procurando por sua cara-metade, cansados do relacionamento "freelancer".

Existe uma discussão acerca dos relacionamentos afetivos dos profissionais de Jornalismo. Bem-sucedidos na profissão e mal-sucedidos no ramo sentimental. Tal afirmação - baseada em depoimentos de outros profissionais - estaria relacionada à dificuldade de conciliar a vida no trabalho com a vida pessoal. Convenhamos, o ritmo de trabalho, principalmente mental é desgastante. Ou, como você acha que o jornal chega nas bancas de domingo a domingo, inlcuindo feriados?

Fora que, jornalista é chato. Muito chato mesmo. Na primeira oportunidade trata logo de falar sobre...Jornalismo! Quem agüenta? Somemente nós mesmos. E é aí que entra a famosa frase - que todo profissional/estudante do ramo já escutou: "jornalista casa com jornalista". Claro, não é uma regra. É somente um comentariozinho "sem-graça" para dizer nas entrelinhas o quanto dividir a vida com um jornalista é insuportável para os reles mortais. Ok, vamos admitir: receber a ligação do seu editor no meio de uma, digamos, namoradinha é corta tesão total, como diz meu até então namorado.

Contudo, é o ramo de atuação de cada um que irá determinar o seu direcionamento profissional e a maneira em que este influenciará na vida pessoal. Mas, parabéns para todos aqueles que nos aturam.


"Vi vários capítulos de Belíssima. É um mundo edulcorado. A quantidade de pessoas bonitas em novelas é assustadora. Não corresponde à realidade".
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, em entrevista ao Jornal da Tarde - Veja, 20/09/2006



O Diabo Veste Prada - estréia mais que aguardada em 22/09 (sexta-feira).



Som do dia: Riff (Filhos da Judith)

17 de setembro de 2006

Hipnose

HIPNOSE


Fim de tarde de sábado. Namorado trabalhando, você sem ânimo pra balada, tentando esquecer do trabalho acumulado que você deixou para fazer justamente no fim de semana abafado e nublado do Rio de Janeiro. Eis que estás em frente à televisão, apertando o botão do controle, e passa pela E! Entertainment Television, o maior canal de cultura útil-fútil que você tem conhecimento, para saber dos babados da vida das celebridades internacionais. Pura imprensa marrom.

Mas aí você pára. Pára e ali permanece por um bom tempo, pois está passando mais um dos inúmeros top tops feitos pela emissora. E dessa vez, o ranking é dos bad-boys mais sexies do mundo do entretenimento. Mulher, você troca de canal? Claro que não. Tirando o meu colete feminista usual, afirmo que ainda não conheci uma mulher que não se sinta magnetizada por aquele ser que te olha como se dissesse "eu sou demais e eu sei que você também acha", e continua correndo desesperada atrás daquela criatura que insiste em falar o que quer e te tratar do jeito que bem entende, sem saber o porquê. É aí que entra a tal pergunta Tostines: "as mulheres correm atrás porque eles são cafajestes ou eles são cafajestes porque sabem que assim as mulheres correm atrás"?

Bom, quanto a isso não sei responder, apesar de estar ciente de minhas experiências afetivas passadas. Mas, fiquei ali, parada em frente à televisão, de boca aberta e rezando para que aquele ser, meu sex-symbol da fase pré-adulta estivesse no top 3. E ele apareceu gloriosamente em primeiro lugar. Será que eu preciso dizer quem é?


"Vocês (jornalistas) ficam brigando para ver quem rouba leitor de quem, mas não percebem que quando acabar o analfabetismo no Brasil vai faltar jornal para tanto leitor".
O candidato do PDT Cristovam Buarque - Globo Online, 28/08/06



Som do dia: Supermassive Black Hole (Muse)

10 de setembro de 2006

Shyamalan

SHYAMALAN


Tive que mudar todo o planejamento de assuntos a serem publicados, após assistir a nova produção do diretor M. Night Shyamalan.

Venho acompanhando as "grandes" produções do diretor, após ter visto o filme O Sexto Sentido, em que me senti profundamente intrigada da minha incapacidade intelectual de descobrir que o personagem de Bruce Willis era um fantasma durante todo o filme. Uma pessoa que me fez sentir completamente estúpida e burra merecia o meu respeito. Porém, vivi uma onda de decepções com os filmes posteriores de Shyamalan.

Depois de sair muito aborrecida de A Vila - produção de 2004 -, resolvi pensar sobre o que o diretor estava querendo dizer à humanidade com seus filmes. Compreendendo-o, pelo menos um pouco, resolvi dar oito reais e vinte e cinco centavos - preço de estudante - para assistir A Dama Na Água, estréia desse fim de semana. Como eu já sabia que seria desapontante, não fui com nenhuma expectativa. Só me restou rir ao final do filme, sob os comentários revoltados dos telespectadores que foram assistir basicamente a uma história de ninar infantil: uma ninfa que vem do Mundo Azul e precisa encontrar o seu receptáculo para que possa voltar ao seu mundo em paz, sem ser atacada por uma espécie de "lobo-cachorro", cuja denominação esqueci.

Desta vez, Shyamalan - que tem a mania de fazer pontas em seus filmes e ganhou um personagem maior neste - ficou novamente no "eu quis dizer algo com isso", que poucas pessoas descobrem o que é. Intrigou-me uma frase declarada constantemente na produção: "os seres humanos merecem ser salvos", além da presença de muitas cenas com noticiários sobre guerras, mortes e atrocidades humanas como segundo plano. Garanto que muita gente não prestou atenção nisso, tentando descobrir qual seria a grande sacada na história da ninfa - que diga-se de passagem é vivida pela atriz Bryce Dallas Howard, a mesma que fez a ceguinha do filme A Vila.

Posiciono-me como advogada de defesa do Shyamalan - que está mais bonito nesse filme, pelo menos - e aponto esta produção como mais uma que questiona o posicionamento do ser humano em relação à vida, em que os avanços tecnológicos na nossa sociedade tiraram a nossa inocência e a nossa capacidade de vivermos acreditando em coisas que achamos banais, atualmente, pelo excesso de informação que nos deixa entendidos demais dos assuntos mundanos.

Não vou dizer que gostei. Detestei! Mas, em entrevista com uma astróloga, esta me disse "as pessoas têm que aprender a focar o lado bom que existe em um acontecimento que julgamos ruim". Usar o cérebro nunca é demais.


"Somos todos crentes. Somos todos brasileiros".
O candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso a pastores evangélicos, no Templo da Assembléia de Deus de Santa Cruz, Zona Oeste do RJ (08/09/06).


Som do dia: Confesso que errei (Rockz)