13 de fevereiro de 2007

Playboy Slim

PLAYBOY SLIM

Saltos, maquiagem, brincos reluzentes pendurados e muita chapinha. Um cenário típico de uma concorrida boate da Zona Sul se não fossem pela grama, pelo concreto e pelos banheiros químicos espalhados ao ar livre.

O visual crossover esteve presente nos cantões do RioCentro, onde locais e estrangeiros - muitos diga-se de passagem - se reuniram na última noite de sábado para assistir ao evento de música eletrônica, que teve como atração principal Norman Cook, o famoso dj inglês conhecido como Fatboy Slim. Figurinha repetida no Brasil, que levou 150 mil pessoas ao Aterro do Flamengo no Nokia Trends em 2004, o declarado amante do país foi o ponto principal da festa, que contou com o set de outros quatro djs brazucas.

Apesar de iniciada com o dj de house Márcio Careca e o internacional Patife mandando seu drum'n'bass, o gramado foi literalmente assassinado quando os vídeos luminosamente divertidos e o som mistureba de Norman Cook tomaram conta do palco. Hits como Praise You e Funk Soul Brother (the Rockafeller Skank) estremeceram o lugar, com uma euforia desconcertante que só aumentou ainda mais o aquecimento global.

Porém, a noite pós-Fatboy Slim, iniciada pelo dj de trance Roger Lyra, trouxe de volta o sentimento de "lar-doce-lar", fora do clima balada-Zona Sul. Fechando a festa em grande estilo, o queridinho - e gatíssimo - dj Gabe do projeto de trance Wrecked Machines brindou o amanhecer de domingo, e a essa hora as sandálias de salto já não resistiam mais. Glamour demais para quem pretendia ficar das dez às sete da manhã mexendo o esqueleto, não é, meninas? Dessa vez não tinham pufes e almofadinhas. *


Som do dia: Here With Me (Static X)

4 de fevereiro de 2007

Pré-Serpentina

PRÉ-SERPENTINA


Avenida das Américas, Barra da Tijuca, sexta-feira. Parado no sinal, o motorista de um carro de luxo preto batuca sorridente e freneticamente o seu tamborim. Não tem como esquecer. Na testa dos cariocas está explicitamente escrito: carnaval. Os ensaios de escolas de samba, a quantidade incontável de blocos e o aumento considerável da diversidade lingüística no Rio reforçam a imagem de confetes e serpentinas caindo do céu ora azul, ora completamente nublado da cidade.

Entre toda essa parafernália anual e de costume, chamou-me a atenção algo até então desconhecido. Com a concentração no Mercadinho São José, em Laranjeiras, o Bloco Imprensa Que Eu Gamo reúne há 12 anos jornalistas - e outros mortais - para se esbaldarem e cantarem sobre assuntos do cotidiano e relacionados ao Jornalismo. Com um público maior a cada ano, a linha editorial do bloco impõe que pelo menos um profissional do ramo deve participar da ala dos compositores dos sambas e a rainha de bateria deve ser igualmente jornalista. São previsíveis conversas sobre o trabalho e o quente da notícia, cervejinha na mão, olheiras, gastrite, mas claro, aquele peito estufado e um sorriso escrachado de orgulho: "eu sou imprensa".

Além do cansaço, minha personalidade anti-social estava no comando no sábado e sabendo que iria encontrar rostos conhecidos - alguns deles indesejáveis -, desisti do programa pré-carnavalesco. Mas, será que o Ronald Villardo apareceu por lá? E aquele meu ex-professor gatinho? Ok, falta de iniciativa jornalística, menos 5 pontos. *

"Me empreste seus olhos azuis para passear".
Do deputado federal Clodovil Hernandez ao repórter Rodrigo Lêdo, do Portal Ig.



Som do dia: Tell Me 'Bout It (Joss Stone)

24 de janeiro de 2007

Vidinha Pop

VIDINHA POP


Os fãs da série ex-queridinha do momento já podem comprar seus lencinhos de papel. Fracassado principalmente pela morte da personagem Marissa - vivida por Mischa Barton -, The O.C. está previsto para exibir seu último espisódio na TV americana no final de fevereiro. Junto com o seriado, vai-se uma das trilhas sonoras mais cools da TV e figurinos très estilosos.

Porém, a vida fútil não está com seus dias contados. A MTV - em clima de verão - anda exibindo por aqui a série americana 8th & Ocean. O "reality show" retrata o dia-a-dia de um grupo de jovens modelos - homens e mulheres - da agência Irene Marie, em Miami. Entre castings, desfiles, brigas e pegações - aliados a um cenário maravilhoso - a série mostra o mundo altamente competitivo dos que se envolvem com a moda.

Já é possível ouvir um burburinho crescente a respeito do programa, principalmente entre antigos fãs de The O.C. e coisas do gênero. Uma boa pedida para aqueles que possuem uma tendência forte para absorção de conhecimento "fútil". Eu não perco mais nenhum episódio. *



"As minhas obras não desabam".
Paulo Maluf, deputado federal eleito(PP-SP), a respeito do desastre das obras do metrô em São Paulo.



Som do dia: Beautiful Love (The Afters)

15 de janeiro de 2007

Beliscando

BELISCANDO


Não existe mais aquele dilema usual na hora de escolher aonde encontrar os amigos para um pit-stop gastronômico, acompanhado do choppinho básico carioca. Na cidade onde o que é moda pega - nem que seja por cinco minutos -, já está na ponta da língua o lugar ideal para bater um papo e comer à vontade: um rodízio de petiscos.

Chegou como um vírus. A famosa "socialzinha" adotou o lugar como alternativa quase obrigatória, onde o novo hype é dizer "sim, eu já fui". Antes tendo como ponto principal e basicamente único o bairro de Copacabana, a opção de programa culinário do gênero já pode ser encontrado espalhado em outros bairros da cidade. Ovo de codorna, bolinho de bacalhau, pastéis e salgadinhos - entre outras variadas opções - se revezam na mesa dos clientes e lotam os estabelecimentos na orla e ruas do Rio.

Apesar de ainda não ter ido, não descarto a possibilidade e confesso grande curiosidade. Convites não faltam, afinal de contas, carioca que é carioca não dispensa um "todo mundo faz" de vez em quando.


"Não há petróleo em lugar calmo no mundo"
José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobrás




Som do dia: Bright Idea (Orson)

9 de janeiro de 2007

Tranceando

TRANCEANDO


O ano de 2007 entrou com o pé direito na música eletrônica. Além da festa de ano-novo, no último domingo os cariocas foram presenteados com mais uma atração internacional do gênero de não deixar os corpos parados. O dj holandês de trance, Dj Tiësto apresentou seu set na descolada praia de Ipanema, que teve suas areias tomadas por um público curioso e enlouquecido.

O telão atrás do palco foi o grande diferencial. Imagens coloridas e aleatórias combinavam sincronizadamente com o som que vem ganhando mais adeptos a cada dia. Os cariocas, acostumados com o tecno e a house music dos lugares "modinha" da noite, estão aprendendo a explorar novas vertentes do "bate-estaca" - denominação de gente out, diga-se de passagem.

Pelo jeito está sendo lucrativo e interessante tremer a terra do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar, o que pôde ser verificado em 2006 com tantos eventos de música eletrônica pela cidade. Apesar do novo governador querer banir as raves do Estado, parece que os carioquinhas estão cada vez mais chegados em um tum-dum. Dois mil e sete eletrônico? Aguarda-se.


"O presidente adora plagiar os outros. Seu primeiro mandato, por exemplo, foi um plágio do governo FHC".
Roberto Jefferson, presidente do PTB



Som do dia: Walnut Tree (Keane)

1 de janeiro de 2007

Psy-2007

PSY-2007

O destino: praia de Ipanema, concentração da maior parte da população que decicidiu dar adeus a 2006 na orla carioca. O fenômeno: show do Black Eyed Peas. Contudo, minha caminhada debaixo da chuva tinha outro propósito: ver o Infected Mushroom.

Nome reconhecido no cenário da música eletrônica, a dupla foi a salvação daquela noite enlameada, desorganizada, suprindo necessidades fisiológicas entre os carros, arranhões, mal-educados e pessoas perdidas - o que era previsível. Depois de um esforço para conseguir chegar a tempo no set da Flow e do Zeo, assisti aos israelitas Erez Aizen e Amit Duvdevani fazeram as areias de Ipanema se espalharem, com seu trance psicodelicamente mágico.

Ali, no Posto 9, o resto da cidade era um mundo diferente, em outra sintonia. E 2007 começou assim, com a famosa "I Wish" debaixo de chuva, lavando as lembranças ruins de 2006 e mostrando que sim, Brasil, we're playing the game.

Do outro lado, a Fergie gritava, o caos era total. Mas, a satisfação da experiência anterior me fez indiferente.

Obs: Só uma palhinha de como comecei 2006. E essa vibração se repetiu em 2007, dessa vez com Infected no line up.




Qual a diferença entre uma estrela pop e um terrorista? Você pode negociar com um terrorista".
A cantora americana Madonna.



Som do dia: O Rock Acabou (Moptop)

29 de dezembro de 2006

Ócio criativo

Ócio criativo.


O blog volta depois do ano-novo em Ipanema (se a blogueira sobreviver).

"São Paulo não precisou, por que aqui vai precisar?"
A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, afirmando que não solicitará ao governo federal o envio da Força Nacional de Segurança, em decorrência dos ataques ocorridos no Rio, desde a madrugada de quinta-feira (28/12).






Som do dia: Waiting On The World To Change (John Mayer)

18 de dezembro de 2006

(F)Utilidade Supersize

(F)UTILIDADE SUPERSIZE


“Você precisa ver o óculos que eu comprei”, ela começou. O resultado é previsível: na caixa de oncinha, um óculos gigantesco da Chilli Beans, “tipo Nicole Richie” ela completou. É impressionante como seu jeito de andar e de falar ficaram diferentes depois que ela pôs o acessório no rosto.

Exagero é o grito de guerra. Repare-se no tamanho das bolsas, dos saltos, da quantidade de acessórios e opções de maquiagem. Porém, como Freud explica – e permitindo um certo machismo – essa obsessão por tamanho é compreensível. Digamos que seria uma forma sutil e indireta de exteriorizar desejos libidinosos. Ou, tamanho não é documento?

Whatever. As brasileiras estão aí para mostrar que também se pode ser cool em um país tropical. “Besourão” no sol de quarenta graus com havaianas mais baratas é très chic pra desfilar na orla nesse verão. Porque aqui, Nicole Richie tem bunda! E cérebro (???).


"Quando eu me casei, eu sabia, por causa da minha libido, que existiriam outras mulheres na minha vida".
Jack Nicholson, ator.



Som do dia: All Night (Damien Marley)

8 de dezembro de 2006

Personalidade de Vidro

PERSONALIDADE DE VIDRO


Inimigos mortais da maioria das mulheres, controladores da chamada auto-estima. Ele, que mostra aquilo que em algumas vezes não se quer ver. Veste-se para agradá-lo, um receio de ver a verdade, preocupações quanto a suas críticas. Praticamente um homem de vidro.

Intrigou-me uma observação feita dias atrás: por que espelhos de academia nos deixam mais gordas e os espelhos das lojas nos deixam mais magras?? Fácil de responder nessa sociedade fútil, machista e consumista. Me sinto gostosérrima nesses espelhos engordativos. Brincar de Gisele Bündchen às vezes é muito chato. Alguém já pensou nisso?

P.S.: Pretendo cobrir ou descobrir algo interessante no fim de semana e voltar sem essa TPM constante.


"Mulato é cruzamento de mula com égua".
O ator negro, Milton Gonçalves




Som do dia: Lua Estrela (Manacá)

26 de novembro de 2006

Consciência de quê?

CONSCIÊNCIA DE QUÊ?


Semana de comemoração do Dia de Zumbi dos Palmares - o Dia da Consciência Negra. Ao participar dos eventos da data é possível perceber que, apesar da grandeza cultural, o que existe mesmo é um "marketing pesado em cima da herança deixada pela escravidão", assim como me disse uma jovem afro-descendente.

A única semana do ano em que ser negro é status, em que penteados afro são estilosos e não sujos, em que a dança e adereços étnicos não são coisa de macumbeiro. Muito pelo contrário. Moças de cabelos lisos querem endurecê-los, a negra não fede e desfilar com uma é sinônimo de avanço cultural e todos querem mexer sensualmente os quadris, identificando-se com a música difundida pelas senzalas.

A culpa desse quadro é em grande parte nossa, afro-brasileiros, que insistimos em nos colocar na condição de "coitadinhos" da história do país. Ao invés de assumirmos nossa identidade, de nos aceitarmos e de enfrentarmos o preconceito com a cabeça erguida, insistimos em perpetuar nosso discurso de que queremos direitos, queremos respeito, queremos igualdade e poucos de nós fazem algo por isso de forma realmente consciente, sem ser por interesses políticos. Todo 20 de novembro é igual. Nós "queremos", "exigimos", mas durante o ano todo somos apenas aqueles que alisam seus cabelos e abominam suas expressões culturais, tratando a sua própria cultura de maneira pejorativa.

Ainda temos vergonha dessa cor, vergonha de ter Zumbi como ícone e nos escondemos em falsos discursos moralistas de que o problema é só do governo e da sociedade branca. Por isso, no mês de novembro não somente "celebramos" nossa negritude, como também abrimos os olhos e vemos que nesse país, qualquer outra etnia consegue ser mais negra do que nós mesmos.


"Se eu quisesse ir embora, dava 10 reais para eles. São todos mortos de fome mesmo".
A cantora de funk Tati Quebra-Barraco, em ofensa aos policiais que a pegaram dirigindo seu Citroën Picasso sem habilitação.



Dica: Um judeu cantando reggae, Matisyahu - nascido na Pensilvânia - virou sucesso mundial do gênero. Merece ser som do dia.


Som do dia: Time Of Your Song (Matisyahu)