Lembro-me dos tempos de criança. Sexta-feira era dia de luto. Além de não poder comer carne, nada de escutar música, nada de correr pela casa, brincar com os amiguinhos? Somente depois do meio-dia, e soltar algum palavrão era falta grave - coisa que perdura até hoje, em qualquer situação, eu que o diga. Quanto aos motivos, "é falta de respeito, os antigos assim diziam". E o questionamento parava por aí.
Hoje em dia, muitas coisas mudaram. "Por isso que o mundo tá todo pelo avesso", minha mãe diz. Cada um tem suas crenças, seus hábitos, ainda que fazer uma performance à la Beyoncè com o som nas alturas em plena sexta-feira santa seja motivo para olhares atravessados dos mais velhos. Porém, algumas coisas se perpetuam, talvez por um peso na consciência. Ainda lembro do rodízio do ano passado, em que todos separávamos a calabreza e o presunto da pizza. "É melhor não contrariar, né".
Ainda acredito que esta data tenha um significado menos superficial do que a contemporaneidade pensa. Mas, que cada um consiga reconhecer o limite do seu próprio espaço. E isso a humanidade ainda não aprendeu. "O mundo tá todo pelo avesso", minha mãe diz... Feliz Páscoa*
Um policial do Bope, se referindo à visão privilegiada que teve do ensaio nu da Mulher Melancia, feito em uma favela do Catete, a 100 metros do batalhão.
Talvez alguém já tenha ouvido falar nessa, mas como meu tipo físico me faz ter fobia a papos do gênero, fiquei intrigada com essa "novidade". Parei para pensar em que consistia tal tratamento. Seria uma atitude vampiresca, que levaria as mulheres a assaltarem os bancos de sangue dos hospitais?
garagem - um gol prata - e rumou para o shopping mais próximo.
O resultado foi um queixo caído ao acender das luzes. Em A Rainha - dirigido por Stephen Frears -, a atriz Helen Mirren, de 61 anos, conseguiu absorver de forma surreal toda a frieza, a ironia e a postura blasé britânica da figura da rainha Elizabeth II. Através da retratação do ocorrido nos bastidores da família real com a morte da Princesa Diana, Mirren transforma um filme aparentemente cansativo em um show de interpretação, prendendo nossos olhares ao da rainha durante os 97 minutos que sucedem o trailler. As passagens com matérias televisivas a respeito de Diana ajudam a explicitar o contraste da reação da população mundial com a reclusão da aristocracia inglesa, confusa na tentativa de mostrar-se indiferente ao acontecimento.
