22 de março de 2008

Escolhas

Quinta-feira da semana santa e sempre tem aquela pessoa que grita: "churrascão na minha casa amanhã, hein".

Lembro-me dos tempos de criança. Sexta-feira era dia de luto. Além de não poder comer carne, nada de escutar música, nada de correr pela casa, brincar com os amiguinhos? Somente depois do meio-dia, e soltar algum palavrão era falta grave - coisa que perdura até hoje, em qualquer situação, eu que o diga. Quanto aos motivos, "é falta de respeito, os antigos assim diziam". E o questionamento parava por aí.

Hoje em dia, muitas coisas mudaram. "Por isso que o mundo tá todo pelo avesso", minha mãe diz. Cada um tem suas crenças, seus hábitos, ainda que fazer uma performance à la Beyoncè com o som nas alturas em plena sexta-feira santa seja motivo para olhares atravessados dos mais velhos. Porém, algumas coisas se perpetuam, talvez por um peso na consciência. Ainda lembro do rodízio do ano passado, em que todos separávamos a calabreza e o presunto da pizza. "É melhor não contrariar, né".

Ainda acredito que esta data tenha um significado menos superficial do que a contemporaneidade pensa. Mas, que cada um consiga reconhecer o limite do seu próprio espaço. E isso a humanidade ainda não aprendeu. "O mundo tá todo pelo avesso", minha mãe diz... Feliz Páscoa*



"Não é todo dia que acontece uma 'ocorrência' dessas".
Um policial do Bope, se referindo à visão privilegiada que teve do ensaio nu da Mulher Melancia, feito em uma favela do Catete, a 100 metros do batalhão.


Som do dia: Vermelho (Vanessa da Mata)

3 de março de 2008

Diet

Eis que dava meus passos apressados pela rua, quando algo me fez reduzir a velocidade. Em uma dessas revistas "engana-mulheres" lê-se em letras vermelhas garrafais a chave para o sucesso: a dieta do sangue.

Talvez alguém já tenha ouvido falar nessa, mas como meu tipo físico me faz ter fobia a papos do gênero, fiquei intrigada com essa "novidade". Parei para pensar em que consistia tal tratamento. Seria uma atitude vampiresca, que levaria as mulheres a assaltarem os bancos de sangue dos hospitais?

Descobri que a dieta, que foi publicada no livro Eat Right 4 Your Type, do médico americano Peter D'Adamo, consiste em reeducar a alimentação de acordo com o tipo sanguíneo da pessoa. Para atingir o peso ideal, basta comer alimentos seguindo uma lista nutricional feita de acordo com o sangue do paciente. Segundo o autor, cada grupo possui características que determinam a dieta. Exemplo:

* Sangue Tipo O - caçadores, ativos e musculosos, devem seguir uma dieta rica em carnes.

* Sangue Tipo A - cultivadores, grupo que surgiu junto com a prática da agricultura. Deve-se evitar carnes vermelhas.

* Sangue Tipo B - nômades, com um sistema imunológico mais forte e sistema digestivo flexível. Único grupo sangüíneo que tolera sem problemas derivados de leite.

* Sangue Tipo AB - grupo que teria evoluído a partir dos grupos A e B. A dieta para esse grupo é baseada na dieta dos grupos sanguíneos A e B.

E agora, será que finalmente descobriram o segredo da Gisele Bündchen?

"O meu filho ficou muito contente com a receptividade dos colegas."
William Ribeiro, pai do garoto João Victor, de 8 anos, que passou chutando no vestibular de Direito da Unip, de Goiás.



Som do dia: Tears dry on their own (Amy Winehouse)

5 de janeiro de 2008

Aperte Start

A passagem de ano dessa vez foi um tanto quanto estranha. As pessoas estavam tão ansiosas para sair de 2007, que os fogos foram queimados antes de meia-noite, já tinha gente vomitando antes de 1 da manhã e que minha escova durou menos de 24 horas. Foi tudo tão rápido, assim como 2007, que desapareceu em um piscar de olhos, mas cheio de acontecimentos que poderiam ter levado uma eternidade para aparecerem.

A sensação foi de ter passado um ano inteiro dentro de um liquidificador. Não sei que portas de onde foram abertas, mas tudo pareceu uma mistura sem cheiro, gosto ou cor. Não gosto de anos ímpares, apesar de trazerem algumas surpresas agradáveis. Me sinto naqueles games, em que temos que matar o chefão para conseguir passar de fase.

Mas, 2008 parece soar tão bem. Dá vontade de iniciar ou prosseguir com projetos que ficaram perdidos nesse furacão. Dizem ser ano 1, de esperanças renovadas. Mas, sinceramente, com esse calor carioca tá difícil começar a pensar em alguma coisa que não seja sorvete.*


Música do dia: Foundations (Kate Nash)

24 de dezembro de 2007

Brilho

Esse ano foi cheio de novidades. Tanta coisa acontecendo, nem tempo para falar sobre elas sobrou. Nem mesmo do lançamento de mais uma revista para a mulherada.

A proposta: se você é adulta demais para ler Capricho, ou nova demais para ler Cláudia, essa é a sua revista. A publicação mensal, que cirula nas bancas desde outubro desse ano, já caiu no gosto das "adultas iniciantes". Gloss, assim como toda publicação descoladinha (porque será), foi inaugurada com a Bündchen na capa.

Overdose de moda, comportamento, dicas de sexo, decoração, uma pitada de cultura, publicidade, publicidade e publicidade. Apesar de temas interessantes, como Second Life, perda de privacidade na internet, emprego e Cameron Diaz, as matérias são pequenas, breves, objetivas demais para cérebros em ebulição.

Mas, até que é um bom passatempo. Cabe na bolsa, não faz peso e as amigas adoram encontrar no seu quarto. Mas, ainda assim, a revista não é para mim. Ainda não posso dar cem reais em um sutiã de algodão e rendinha. Nem usar "franja assimétrica com fios desfiados ao redor da cabeça". Prefiro ler Cláudia e imaginar que daqui há uns 10 anos eu possa gastar mil reais em sapatos e ter encontrado uma solução para minhas madeixas. (!!!)

Aos poucos eu volto... Feliz Natal.

"Quem está indo no shopping, quem está indo em um lugar em que se vende muito, percebe que o povo pobre está comprando, o povo pobre está indo às compras".
Luiz Inácio Lula da Silva.


Som do dia: Tá Perdoado (Maria Rita)

31 de agosto de 2007

Drops

Estava lendo algumas coisas por aí e achei uma matéria interessante. Aproveitando o meu ócio criativo, segue abaixo um breve texto sobre a reportagem que a revista americana Haper's Bazaar fez com o ator Ashton Kutcher (maridão da poderosa e sortuda Demi Moore), sobre o papel do homem em um relacionamento. Exagero? Talvez, mas meu lado feminista a-do-rou.


O Globo Online - em 30/08/2007

Mulher é a estrela
Ashton Kutcher diz que homens devem ser 'meros acessórios'

A atriz Demi Moore, 44 anos, é mesmo uma mulher de sorte. Em uma matéria na edição americana da revista "Haper's Bazaar" de setembro, o maridão da atriz, o galã Ashton Kutcher, de 29 anos, dá dicas de como os homens devem aparecer ao lado de suas mulheres e dispara: "Nós somos meros acessórios". Para ele, a mulher tem que ser a estrela do casal: "quando se trata de se vestir, homens são um pouquinho mais importantes que bolsas de mão, mas menos importantes que sapatos".

"Seu homem não deve aparecer mais que você", aconselha o astro de "Efeito borboleta" - "Ele está lá para colocar você em destaque". No artigo, Kutcher expõe o ponto de vista masculino quando a questão é se vestir.

"Caras não gostam que digam que ele está bonitinho ou fofo", diz Kutcher, "Nós queremos nos sentir sujos, rudes, e, o mais importante, sentir que você se sente segura em nossa companhia. Então, quando seu namorado finalmente veste algo que você goste, diga a ele que está parecendo com James Bond ou Tony Montana". Ele completa: "Sinta-se livre para ser ainda mais vaga que isso: 'Uau, essa roupa deixa você parecido com aquele jogador de futebol gostosão!' Acredite em mim, diga qualquer coisa desse tipo e você não será capaz de fazê-lo tirar essa roupa do corpo".


Som do dia: Roda (Céu)

17 de julho de 2007

Sem Título

Aconteceram tantas coisas nesses dias em que tirei recesso do Devaneios, que nem sei sobre o que falar. Live Earth, PANdemônio, Shrek, produção de videoclipe, entrevistas e entrevistas... o mundo está girando rápido demais para o meu gosto.

Falando em gosto - ou melhor, desgosto - o que foi o Presidente do Brasil vaiado na abertura do PAN? Antes das chuvas de ovos e tomates, explico que não sou petista e muito menos estou defendendo o dito-cujo. Mas, que coisa feia, hein? Cheio de internacionais e fazemos questão de explanar que vivemos em um sistema de m***.

Já afirmam por aí que foi coisa da "quadrilha" do César Maia, com ciúmes do Federal ter se metido nos jogos Pan-Americanos, exclusivérrimo do Rio de Janeiro - que, diga-se de passagem, não tem nem dinheiro suficiente para bancar o evento.

O mais curioso é que a massa apoiou o acontecimento. Mas, ainda não entendo porque brasileiro insiste em falar mal de política sentado no sofá de casa, bebendo Skol. Por que não segue o exemplo dos nossos hermanos e vai fazer panelaço? Ou vai ser necessário confiscar a conta bancária novamente? *


"É exaustivo ser fabulosa".
A Spice Girl Victoria Beckham.


Vamos de clipe:

A cantora Cibelle, brazuca radicada em Londres, fez essa versão super "chá-com-biscoitos" da música "London, London", de Caetano Veloso. Junto com ela, o cantor Devendra Banhart. Tá, pode ser cult demais, mas eu acho fofo.

18 de maio de 2007

Inglaterra News

Mais um clichezinho musical. Foi o que pensei quando seu nome começou a ser espalhado aos sete ventos. A classificação "todo mundo já ouviu falar" me remeteu à idéia de mais uma queridinha do mainstream. Mas, eu não podia ficar imune a esse furacão black, com vozes de trovão e atitude de mulherzinha retrô-contemporânea. Acabei me apaixonando por essa representante do bom e velho jazz/soul (impossível não lembrar de Aretha Franklin), que aumentou ainda mais o meu orgulho dessas raízes negras que me acompanham.

A inglesa Amy Winehouse, vencedora do Brit Awards 2007 como Melhor Artista Solo Feminina, alcança o lugar ao sol com o seu mais recente trabalho, o CD "Back to Black" e, em território brasileiro, segue estourada com o hit "Rehab". Resolvi terminar meu caso com a Joss Stone. *


Amy Winehouse, ao-vivo no Brit Awards 2007 com "Rehab".



"Comecei a proteger minha pilha de lixo tanto quanto protejo minha bolsa Hermés".
A modelo Naomi Campbell, que como pagamento de sentença judicial varreu ruas durante uma semana.



Som do dia: Winter (Bebel Gilberto)

9 de maio de 2007

Novos Ares

"Não acredito que você me trouxe pra uma matinê", foi o que eu disse quando cheguei no América Football Clube, naquele fim de tarde de domingo. Ela me levou pra ver o show da banda de uns conhecidos virtuais dela e não acreditei quando percebi que eu ia ser tiazona na "balada".

Resolvi me despir do preconceito e prestar atenção no som que iria rolar nas próximas horas, até porque meus ouvidos estão sempre abertos para novas "obras" do cenário digamos independente. Era um show de rock, ou pop-rock, ou hardcore- whatever -, desses que agora caíram na graça dos adolescentes. Dentre os artistas, Planar, Stronda, Catchside e o mais aguardado - pela minha irmã pelo menos - o MF Banda. Ninfetinhas de cabelo escovado, entre salto e all star surrado e meninos com seus tênis gigantes e cabelões armados compuseram o cenário. Com direito a rodinha punk, claro.

Os shows foram abertos pela rapper Refém, minha conhecida de campus universitário. Na seqüência, assisti ao rock acelerado com letras sentimentais do Planar e sim, gostei. Gostei mais ainda quando fizeram um pout-pourri dos clássicos que eu ouvia quando tinha a idade daquele público - e aí me senti feliz em ser tia.

Confesso que comecei a ficar cansada e agradeci quando a aguardada banda foi a terceira atração. O som gritado e nervoso da MF Banda me agradou. A energia em cima do palco, o entrosamento nos instrumentos e o dos componentes mostrou uma banda bem ensaiada e aparentemente experiente. Compensou a ida? Posso dizer que sim.

Não lembrava mais o que era um lugar sem bebidas alcoólicas e nem sabia que "Everything is Everything" da Lauryn Hill ainda tocava em balada. Mas, gostei de voltar aos velhos tempos, pena que sem Staind, silverchair ou Nirvana. *

"Nunca se case com um homem de quem não gostaria de se divorciar".
(Nora Ephron, jornalista e roteirista, autora do livro Meu Pescoço É Um Horror)



Som do dia: Quando Tudo Acabar (Som da Rua)

10 de março de 2007

Êle

Passou um gel no cabelo e indeciso analisou o armário. A escolha da calça jeans escura e a blusa de linho listrada com manga comprida no calor tinha uma razão especial. Tirou o carro da garagem - um gol prata - e rumou para o shopping mais próximo.

Naquele banco de madeira, na movimentada praça de alimentação, pediu o primeiro chopp. Diga-se de passagem, stands de mini-bar em shopping soam um tanto quanto alcoólatras. Não se importou com conforto e discrição. Tampouco pensou em um ambiente mais intimista. Qualquer lugar seria o lugar.

Sua perna balançava ansiosamente, como em uma tentativa frustrada de cavar o chão. Virava o pulso para controlar a hora em seu relógio prateado e manteve um olhar tenso, procurando apoio nas pilastras, paredes, no teto. Procurando apoio em mim.

Mais um, dois chopps. Abria e fechava o celular preto, digitando as teclas sem retorno. Ninguém a responder no túnel. Voltou a acenar para o garçom.

Eu e ele perdemos as contas dos copos. Diante dos olhos, um vazio; o celular de nada adiantou e no relógio, apenas números. Estava ele, com ele mesmo e nem do próprio ele se lembrava. Pediu a conta, levantou-se e enfim a encontrou. Ela nem mesmo lhe sorriu, estendeu a mão e disse: "prazer, meu nome é solidão".


"Toda mulher com personalidade forte costuma saber se vestir".
Nandini D'Souza, editora de moda das revistas americanas W e Women's Wear



Som do dia: New Slang (The Shins)

23 de fevereiro de 2007

Rainha do Carnaval

RAINHA DO CARNAVAL


Passar a época confetes-e-serpentina no Rio de Janeiro não é lá um programa de índio. Muitas são as opções de diversão, incluindo as alternativas off-carnaval, um pouco longe dos blocos em massa e confusões gratuitas. Para mim, uma oportunidade única de aproveitar o cinema sete reais mais barato e ver quem é essa senhora que está ameaçando tirar a estatueta da queridinha Meryl Streep - absurdamente maravilhosa em O Diabo Veste Prada e em todos os outros.

O resultado foi um queixo caído ao acender das luzes. Em A Rainha - dirigido por Stephen Frears -, a atriz Helen Mirren, de 61 anos, conseguiu absorver de forma surreal toda a frieza, a ironia e a postura blasé britânica da figura da rainha Elizabeth II. Através da retratação do ocorrido nos bastidores da família real com a morte da Princesa Diana, Mirren transforma um filme aparentemente cansativo em um show de interpretação, prendendo nossos olhares ao da rainha durante os 97 minutos que sucedem o trailler. As passagens com matérias televisivas a respeito de Diana ajudam a explicitar o contraste da reação da população mundial com a reclusão da aristocracia inglesa, confusa na tentativa de mostrar-se indiferente ao acontecimento.

Além de Mirren, a atuação de Michael Sheen no papel de Tony Blair também é digna de ser citada. A presença de Blair no enredo mostra a necessidade da atitude diplomática vinda de um primeiro ministro recém-empossado, tentando equilibrar a tradição monárquica com seus planos governamentais. Seu personagem contribuiu para reforçar ainda mais a idéia da figura decorativa da rainha, porém ainda forte e respeitada.

O Oscar será no próximo domingo e dentre meus favoritos, A Rainha literalmente está presente. Me desculpe Meryl, mas não conseguir mais lembrar do rosto verdadeiro de Elizabeth II sem dúvida merece uma estatueta. *


"O U2 nunca foi bobo nos negócios. Não ficamos o dia inteiro sentados pensando na paz mundial".
Bono Vox, líder da banda irlandesa, cujos integrantes possuem investimento em quinze empresas.



Som do dia: King Of The Free Ride (Kid Abelha e Donavan Frankenreiter)